A presença dos nossos militares em Angola não teve como única finalidade combater os movimentos de libertação, que, na altura, eram considerados o nosso inimigo. Esse era um dos objectivos, mas a nossa missão era muito mais abrangente e tínhamos outras tarefas, porventura muito mais nobres, nomeadamente, o apoio às populações indígenas que, tal como nós, viviam isoladas na imensidão da mata, em acampamentos juntos dos nossos quartéis.
Sempre que essas populações tinham problemas de saúde era à enfermaria da “tropa” que recorriam, nunca lhes sendo negada ajuda. Normalmente, os problemas eram resolvidos localmente pelo médico, quando havia, e/ou pelos enfermeiros da “tropa”, mas quando surgiam situações mais complicadas, que não podiam ser resolvidas no local, era, ainda, a “tropa” que transportava os doentes, em viatura militar ou até mesmo de helicóptero, para uma vila ou cidade mais próximas, onde fosse possível dar-lhes a assistência médica de que necessitavam.
Quase todas as Unidades tinham um ou mais militares que nas horas vagas desempenhavam a função de professores e davam aulas não só à miudagem mas também a alguns graúdos, com vista a combater o elevado índice de analfabetismo que existia em Angola.
Por todo o interior de Angola, os militares construíram muitas escolas, igrejas, estradas, pontes e um sem número de melhoramentos que contribuíram para o melhoramento das condições de vida das populações indígenas que viviam isoladas.
No Luvuei, os militares da CART 2731 não fugiram à regra e, embora não tenham deixado grandes obras materiais (apenas uma estátua a assinalar a nossa passagem), deixou amigos. O seu trabalho pautou-se sempre por um apoio efectivo às populações nativas, designadamente na assistência médico-sanitária. Talvez isso explique o motivo de nunca termos tido grandes problemas durante a nossa permanência naquela zona, apesar de ser muito perigosa, com a guerrilha muito activa. É que os guerrilheiros dos movimentos de libertação sabiam distinguir quem tratava bem ou hostilizava as populações locais, que no fim eram os seus familiares.
A C.CAV 3517 que esteve no Luvuei algum tempo depois da CART 2731, entre Abril de 1972 e Novembro de 1973, deixou obra mais visível. Construíram a igreja, que vemos na imagem gentilmente cedida pelo Carlos Ferreira, que pertencia àquela Companhia.
Vi há dias no blog LUANDA – MAPUTO BY BICYCLE, de Pedro Fontes, que daquela igreja restam apenas as ruínas.
De acordo com a informação que consegui obter de fonte que considero fidedigna, a igreja foi destruída pouco tempo depois do 25 de Abril de 1974 pelos próprios angolanos aquando da guerra fratricida, que após a saída da tropa portuguesa, opôs os vários movimentos ditos de libertação de Angola.
Como esta, quantas obras, porventura bem mais importantes para o bem-estar dos angolanos, terão sido destruídas?
Franquelino Santos ex-Furriel Miliciano da CART 2731 Angola, 1971
. 16º almoço-convívio da CA...
. 16º almoço-convívio da CA...
. 16º Convívio anual da CAR...
. Diário de um combatente -...
. 13º almoço-convívio da CA...
. ENCONTRO ANUAL DA CART273...
. Alteração do endereço do ...
. Armamento capturado pela ...